Setembro 15, 2004
Desista.
Se não gostou do título, desista. Quem foi que disse que não se compra um livro pela capa? Ou que não se lê um texto pelo título? Bom, se não desistiu, ainda é tempo. Ou quem sabe mais pra frente. Desista. Vou repetir muito essa palavra nesse texto. Meu intuito, no final das contas, é fazer com que você desista. Desista.
Então, você quer trabalhar com publicidade? Desista.
Todos os anos, milhares de pessoas como você tentam entrar no maravilhoso e glamuroso mundo da publicidade. Eu disse milhares, percebeu? São pessoas que, como você, odeiam números (não poderiam nunca ser engenheiros, matemáticos, astrônomos, físicos nucleares, vendedores de título de capitalização), desmaiam quando vêem sangue (fazer medicina, veterinária, enfermagem ou virar açougueiro, nem pensar) odeiam estudar demais (direito, administração, economia, e qualquer outra profissão que exija um mínimo de esforço ou um teste para se formar estão fora de questão) e querem ganhar dinheiro rapidamente sem trabalhar demais. Desista. Como eu já disse, são milhares de folgados como você. Talvez com um pouco de esforço, você se torne um caolho numa terra de cegos, mas isso nunca fará de você um rei. Desista. Se você escolheu publicidade como sua profissão, deve ser de uma família relativamente estabilizada na vida e pode ser sustentado pelo papai até os 30. E um dia quem sabe, até virar herdeiro. Mais fácil, não? Desista.
Você acha que tem o dom, muito jeito pra coisa? Desista.
Bom, se você não se abalou com aqueles pseudo-insultos do primeiro trecho do texto e continua a ler, parabéns. Há outros motivos para desistir. Vamos falar das possibilidades por exemplo. O mercado publicitário é um ovo. De codorna. Não pelos seus atributos viris, mas sim pela dimensão. Se pensarmos que a maior agência do Brasil não suporta mais de 300 funcionários (contando com os seguranças, copeiras, ascensoristas, pessoal do administrativo e financeiro, mídia e todas aquelas áreas que não servem pra nada), já podemos ter uma idéia de como vagas são mais raras do que neurônios em cabeça de cliente. Claro, existem muitas agências pequenas, mas nessas, quem quer trabalhar? Todo mundo quer trabalhar na criação da Almap, ou da DM9, ou de uma agência que valha a pena. Eu nunca ouvi alguém me dizer que entrou na faculdade de publicidade por que sonhava em ser mídia da J. Cocco. Enfim, as vagas são pouquíssimas e dificilmente você vai conseguir chegar perto de qualquer coisa que possa parecer um sonho de emprego. Talvez nem mesmo de um pesadelo. Desista. Na Volkswagen trabalham mais de 20.000 pessoas, lá deve ter uma vaga pra você.
Você tem talento. Não é um folgado. É batalhador. Desista.
Vamos supor que você ainda não tenha desistido de ler este texto e até consiga um estágio numa agência. Por méritos próprios, claro. Porque se você conseguiu entrar porque é filho/parente/vizinho/amigo de alguém da agência ou do cliente, desista. Isso pode até te colocar lá dentro, mas só vai fazer com que você tenha uma vida lastimável. Ninguém gosta de "peixe". Mesmo que você mereça ou seja competente, sempre será visto como alguém que precisa de um pistolão pra conseguir o que quer e nunca será respeitado. Se era assim que pensava em entrar, desista. Voltando ao exemplo do pobre sofredor que, por méritos próprios, conseguiu entrar numa agência interessante, até que grande, com contas boas. Aproveite e faça amigos. Afinal, depois de um ano como estagiário (esqueça, você não vai ser efetivado) é só o que você vai conseguir por lá. Emprego, dinheiro, promoção…desista. A realidade das grandes agências é mundialmente complicada. Pro diretor de criação da BBDO de Kuala Lumpur contratar um estagiário, mesmo que ele seja o ó do borogodó, ele tem que pedir autorização para o Diretor de Criação da BBDO Ásia, que vai pedir autorização para o Diretor Financeiro da BBDO Ásia, que vai pedir autorização para o Diretor Mundial de Operações da BBDO, que vai mandar um fax para o Diretor Financeiro da Omnicom que vai colocar o fax em cima da mesa do Presidente Mundial da Omnicom, que, ao ler aquele fax vai colocar junto com os outros todos pedidos de efetivação ou contratação de gente numa pasta e depois vai mandar um e-mail para todos os funcionários do grupo Omnicom, que controla a BBDO, a DDB e outras tantas, dizendo que "estamos num momento de crise mundial e que nenhum funcionário deve ser contratado sem a prévia autorização pessoal dele e que o ideal seria que os quadros fossem reduzidos em 20%. E que os lucros crescessem pelo menos 15%." Sem comentários. Desista.
Criar campanhas, defender marcas, promover cases de comunicação. Desista.
Embora queira pular no meu pescoço por eu ser um derrotista, um pessimista, um recalcado que nunca conseguiu trabalhar na criação da Almap (onde você também não vai conseguir), você ainda continua a ler. Acho bom, pois eu ainda tenho argumentos para fazer com que você não perca tempo (como o que está perdendo agora lendo esse texto) e desista. Vou deixar de dar minha humilde opinião para deixar que você mesmo chegue às suas conclusões. Só peço que você se faça uma pergunta: por que diabos você quer trabalhar com publicidade?
Dinheiro? Desista. Foi-se o tempo em que se ganhavam salários fabulosos nesse mercado. O mais provável é que você talvez chegue na casa dos R$ 1.500 mensais (sendo muitíssimo otimista) e por lá fique o resto da vida. É mais provável ganhar dinheiro com aquelas propostas que dizem "Ganhe dinheiro a partir de casa" do que com publicidade.
Fama? Sucesso? Desista. Pergunte para qualquer pessoa normal se ela conhece algum publicitário. Talvez ela cite o Olivetto, ou o Nizan, no máximo o Roberto Justus. Marcello Serpa? Nunca ouviu falar. Publicitário só é famoso no meio. Não me parece que ser conhecido por um número de pessoas que não encheriam o estádio do Capiberibense de Mossoró seja o ideal de alguém que queira ser famoso.
Realizacão profissional? Essa é a mais engraçada. Desista correndo. Trabalhar com publicidade é das coisas menos interessantes e relevantes que existem. O que as pessoas fazem quando vêem TV e começam a passar os comerciais? Trocam de canal. O que fazem na revista quando vêem um anúncio? Viram a página. Outdoor vá lá, parado no trânsito a gente até vê. Mas porque é obrigado, não porque quer. É um trabalho que só é importante pra quem faz. Nem quem aprova e paga aquilo liga de verdade pra isso. Os clientes (por si só, um dos maiores motivos pra se desistir de pensar em trabalhar com publicidade) fazem de tudo para que os anúncios sejam cada vez menos interessantes e relevantes. Isso porque a vida deles gira em torno de um sabonete, de um cigarro, de um carro. É, existem coisas menos interessantes pra se fazer do que trabalhar em agência. Ser cliente é muito mais estúpido. Já pensou poder contar pros seus netos que durante dez anos da sua vida você só falou de sabonete?
Prêmios? Claro, aí tenho que dar o braço a torcer. Quem é que não quer ganhar uma estátua dourada breguíssima com a cabeça de um leão que nem pra segurar livros serve? Experimente dizer pra alguem que não conhece publicidade que você já ganhou dez leões em Cannes. Provavelmente a pessoa, depois de tentar entender porque diabos você está falando com ela, vai dizer. "Coitado, dão muito trabalho? Manda pro zoológico…". São prêmios inúteis, que são bem um reflexo da profissão. Já pensou se um cientista ganhasse o prêmio Nobel com uma pesquisa que não deu certo, mas que se desse, seria ótima? Uma pesquisa fantasma? Ou um ator que ganhou o Oscar por um filme que não foi rodado, mas que se fosse, seria fantástico? São prêmios e mais prêmios, todos pra tentar fazer com que as pessoas que trabalham com isso achem que, afinal de contas, não são tão inúteis. É a famosa terapia do auto-engano.
Fazer a diferença? Desista. Um médico faz a diferença. Salva vidas, cura se for bom, mata se for mal. Um engenheiro, um arquiteto, ao construírem uma casa, um edifício, seja lindo, seja horroroso, fique de pé ou caia, fazem a diferença. São coisas palpáveis. Úteis. Necessárias. Uma professora faz a diferença. Um gari. Um flanelinha. Uma puta. Todos podem um dia dizer que o que fizeram, fez a diferença. Um publicitário…nem com muito esforço. É a profissão mais inútil que existe (depois de ser cliente, mas entramos no mesmo círculo de inutilidades). Há 100 anos não existia a praga do marketing e ninguém sentia falta. Se amanhã um vírus mortal que se espalha através de layouts matar 99% da população de publicitários do mundo sabe o que acontece? Nada. Ninguém vai sentir falta. O mundo vai até ficar mais bonito e divertido sem aquela poluição visual toda e sem aquelas coisas chatas entre os programas de TV e notícias de jornal.
Bom, você continua lendo. É, eu não imaginava outra coisa de alguém que não tem nada melhor pra fazer da vida e vai tentar fazer carreira em publicidade. Mas você deve estar se perguntando (ou não, mas sabe como é, publicitário adora achar que pensa que sabe o que os outros pensam): se eu acredito em tudo isso que eu escrevi, porque é que EU não desisto? E quem foi que disse não? Eu desisti. Só que eu demorei anos pra perceber aquilo que, espero, você tenha percebido só lendo esse monte de besteiras que eu escrevi. Mas como você é muito esperto e sabe que com você vai ser diferente, boa sorte. Eu vou aproveitar minha vida. Espero que daqui a alguns anos você possa aproveitar a sua.
Continuando o texto .
A Criação
As maravilhosas opções do mundo da Propaganda I – A Criação
Então, você não desistiu? Leu o meu texto, me mandou uma resposta mal-educada, continua a cursar publicidade e ainda corre atrás de um estágio. Muito bem. O mundo é feito de perseverantes. De lutadores. Veja o que aconteceu com aquele chinesinho que ficou em frente aos tanques na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Morreu, óbvio. Mas enfim, falemos do que interessa. Já que você não desistiu, é bom que alguém lhe fale das maravilhosas opções que o mundo da Propaganda pode oferecer. Vou falar sobre as três áreas umbrella (acredite, você um dia vai estar falando assim também), uma de cada vez, em textos separados, para que você possa ler e refletir com cuidado. E também me mandar e-mails mal-educados, se for o caso.
Comecemos então, do começo. A Criação. No princípio Deus criou os céus e a terra…opa, desculpa, confundi a Criação com algo menos importante. Digam o que quiserem, se existe algo que seja realmente importante na publicidade, é a Criação (um exemplo, procure a coluna "atendimento" ou "mídia" aqui no menu, logo acima do texto. Não encontrou? Pois é…). Trabalhar em Criação, mesmo sem saber o que é direito, é o desejo de 100% daqueles que ingressam numa faculdade de publicidade. Afinal, trata-se de criar aquilo que as pessoas vêem (ou não) nas revistas, outdoors, televisão. Ninguém entra na faculdade por ter uma vontade incontrolável de ser mídia ou atendimento, já que geralmente nem sabem o que essas coisas são e nem para que servem (eu mesmo ainda não descobri). Não vou, de novo, falar das motivações que fazem alguém escolher essa carreira, mas já que você não desistiu (se não leu o meu texto anterior ainda, sugiro que o faça antes de continuar) e quer trabalhar em Criação, vamos lá.
A Criação, onde trabalham os criativos (um lindo nome pra dizer às pessoas normais quando lhe perguntam: "o que é que você faz" – "sou criativo". Com certeza elas têm vontade de dizer: "e eu sou engraçado, bonito, inteligente. E ainda tenho uma profissão") é um ambiente magnífico. Que geralmente até às 10h30 da manhã está deserto. É nessa hora que começam a chegar os primeiros habitantes (em geral, estagiários). Até às 6 da tarde os cérebros ainda estão a aquecer e só pelas 8 da noite começam a trabalhar. Ficam nessa atividade incessante até 2 da manhã e, por isso, não podem chegar antes das 10 ou 11 no dia seguinte. Faz sentido. Há dois tipos básicos de Criação: a "Túmulo" (onde ninguém abre a boca e cada riso um pouquinho mais alto pode atrapalhar a concentração de quem está no ICQ ou vendo um site de sacanagem, ou lendo uma revista) e a "Casa da Mãe Joana" (onde todo mundo ri alto, faz bagunça, conta piadas sujas, tira sarro dos atendimentos e vê e-mails com mulheres de pernas arreganhadas na frente da Sra. do café). Quem escolhe qual dos dois rumos a equipe vai seguir é o todo-poderoso Diretor de Criação, uma espécie de Bruce Almighty que esqueceu de devolver os poderes a Deus. Os seus seguidores, considerados deuses menores, mas ainda assim, deuses, são divididos em Redatores e Diretores de Arte. E ainda há os semideuses (Assistentes de Arte) e anjos (Estagiários). E assim é formado o Céu, o Olimpo. Na verdade, um Inferno.
Mas como adentrar ao Paraíso? Há varias formas. Conhecer São Pedro ajuda, geralmente é meio caminho andado. Para começar sua carreira como querubim ou serafim, ser amigo de alguém na direção da empresa é primordial. O bom mesmo é ser filho de cliente, mas isto nem todos conseguem (por um lado é bom, imagine ser filho de um Diretor de Marketing, que triste sina). Vale também conhecer o dono ou o Diretor de Criação. Menos do que isso, nem perca tempo. Se você conhece um Redator ou Diretor de arte, de pouco isso vai adiantar. Eles geralmente têm muitas outras coisas pra fazer, em vez de mostrar a pasta de alguém que pode ser melhor do que eles ao Diretor de Criação. Um amigo meu, após mostrar uma pasta fabulosa a um Redator em ascenção (hoje dono de uma agência) ouviu dele: "A sua pasta é muito boa, você é brilhante. Mas de Redatores brilhantes aqui, basto eu". Esse pelo menos foi sincero. Mas quem disse que entrar no Céu é coisa pra qualquer um? Então já sabe: se não conseguir falar com o Diretor de Criação ou com o dono, a possibilidade de fazer um estágio na Criação é remota, quase que inexistente. Mesmo com uma pasta maravilhosa. Mesmo com trabalhos dignos de Grand Prix em Cannes. Mesmo se for um génio, falar 12 línguas, ter se formado em primeiro lugar na ESPM. Como dizem os Testemunhas de Jeová, só há 144 mil vagas no céu (pra quase 7 bilhões de habitantes na Terra). A proporção de vagas na Criação é ainda mais apertada. Portanto, sem ser repetitivo, se você não tiver um pistolão, ou melhor, uma bazuca, desista. Ah, se você for mulher e for gostosa, vale a pena tentar. Se for uma baranga, esqueça. Seu lugar é na mídia, mas isso veremos mais tarde.
Vamos supor então que você tenha conseguido entrar. Agora é um aprendiz, um pupilo, cheio de vontade de aprender, muita garra e determinação. O problema é que ninguém vai estar afim de lhe ensinar nada. Mesmo porquê, eles sabem que não há nada para ser ensinado. Pra ser Redator, basta ter conhecimentos básicos de português (nem precisa ser lá muito fluente, há sempre uma revisora pra corrigir os seus deslizes ou reescrever o seu texto). Para ser Diretor de Arte, um mínimo de gosto (bom ou mau) e conhecimentos básicos de Photoshop. Mas mesmo isso, os assistentes de arte podem fazer tudo por você (se você for muito bom no Photoshop pode ficar como assistente de arte para sempre, cuidado). O que importa mesmo, a partir do momento que entrar na Criação, é fazer contatos (não digo amigos, porque num ambiente hostil como esse, ninguém é amigo de ninguém. Casos raros acontecem, mas estou a falar da regra e não das exceções). Saia pra almoçar com eles (eles não vão te convidar, meta a cara, com a possibilidade de levar um tapa) nos restaurantes caros que eles freqüentam, em que cada refeição custa três vezes a sua ajuda de custo (se é que a vai receber, normalmente fazer o estágio já é uma honra tão grande que ninguém espera ser pago por isso). Jogue Quake o dia todo com eles, dê-lhes dicas de sites de sacanagem, descubra do que eles gostam (previsíveis como eles só, basta dar uma olhada na mesa de trabalho de cada um e descobrir seu pintor, autor ou desenho animado preferidos) e fale a respeito, dê presentes, enfim, puxe muuuuito o saco. Mas cuidado. Não faça isso com Deus, digo, com o Diretor de Criação, senão você volta pro purgatório rapidamente. Você tem que se dar bem com os deuses menores, deixando inclusive que eles tenham as suas idéias. Nunca chegue com um anúncio pronto para o Diretor de Criação, por melhor que ele seja. Isso causaria um grande desconforto (e inveja, raiva e outros sentimentos execráveis) na equipe dos deuses menores e poderia resultar na sua expulsão do Paraíso. Ao ter uma idéia, fale dela com um Redator ou Diretor de Arte (aquilo que você não for) e deixe que a coisa pareça ser dos dois, ou melhor, mais dele do que sua. Só assim a coisa pode ir em frente e pimba: um anúncio maravilhoso com seu nome na ficha técnica. Se conseguir fazer isso umas dez vezes, terá uma pasta cheia de anúncios bons, feitos em conjunto com grandes nomes, o que pode lhe trazer novas possibilidades em outro lugar. Ah, não esperava ser efectivado, não? Pense bem. Por que é que alguém efectivaria um estagiário que não ganha nada (ou quase) e trabalha feito um camelo? Pra pagar mais? Não faz sentido. Claro, você pode pensar que alguém talvez quisesse tê-lo por lá pelo seu magnífico talento e pela fantástica contribuição que você poderia dar se, em vez de ir embora, permanecesse na equipe. Desista. A única maneira disso acontecer é se você for uma gostosa. Daí a equipe, ou até o próprio Diretor de Criação, podem pensar duas vezes antes de deixá-la ir embora.
Mas a vida de um estagiário não é só essa maravilha que acabei de descrever, não senhor. Tem o trabalho. E que trabalho! Praticamente tudo o que sair da agência vai passar pela sua mão. Como 90% do trabalho do dia-a-dia são folhetos, rodapés, meias-páginas, spots de rádio, ou seja, coisas que não interessam a nenhum deus (estes só fazem anúncios de página dupla e filmes, mesmo que a agência onde trabalham não tenha clientes com dinheiro para veiculá-los ou produzí-los), prepare-se para ter que fazer a arte ou escrever todos os textos dessas chatices. Claro, é bom para aprender, pegar ritmo e quando você for um Diretor de Arte ou Redator de verdade, vai ter a capacidade de…passar o job para um estagiário qualquer. Escanear e procurar referências (encontrar fotos ou campanhas já feitas, em livros e pela Internet, para que o Diretor de Arte possa se "inspirar") também serão constantes na vida de um estagiário de Direção de Arte, assim como montar pranchas e colar anúncios dependendo da filosofia ($$) da agência. Os Redatores têm a vida um pouco mais fácil. Escrevem textos aqui e ali, sem muita pretensão de que fiquem bons (já que o consumidor raramente irá lê-los e o cliente raramente deixará de alterá-los por completo), eventualmente ajudam a procurar referências, sem sucesso, uma vez que "não entendem nada de arte", enfim…muito trabalho duro. Pra ser criativo, você também não pode ser pobre. Tem que ter um carrão importado ou uma Harley, pra poder entrar no círculo dos Deuses. Tem que vir de uma família rica, abastada, que tenha lhe proporcionado viagens pelo mundo, livros, visitas a museus, uma bagagem cultural imensa, tudo muito necessário na hora de fazer um tablóide de supermercado. Escrever "Aproveite: Feijão fradinho só R$ 0,89/kg" requer muito background. E um pobre nunca saberia qual a maneira mais estética de colocar a foto do saco de feijão entre o coxão mole e o detergente líquido.
Os criativos sempre permanecem numa redoma de cristal. Nunca devem ir ao atendimento (a não ser pra falar com aquela gostosa em particular, sem os outros deuses todos de olho), não sabem onde fica (e nem que existe) a mídia e só passam no financeiro para entregar a nota fiscal de serviços no final do mês, já que poucas agências podem pagar salários tão altos "por dentro". Geralmente vão direto do carro (um bem caro, último tipo, que fica dentro da garagem) para a Criação e da Criação para o carro. Obrigatoriamente, têm um hobby para "aliviar o estresse" do dia-a-dia, como pintar, tirar fotos, escrever livros, crónicas. Geralmente tudo de pior qualidade do que o trabalho que fazem na agência (imagine), mas dá status. E rende assunto com as gostosas do atendimento.
Então, a Criação é para você? Se não, não se desespere. Há ainda outras opções, como eu já disse. No próximo texto, vou falar do Atendimento. As barangas que me desculpem, mas a Mídia fica por último. Mas é bom pra irem se acostumando.
posted by Eduardo |
11:29 AM
Maio 11, 2004
Vale a pena ler, texto do Jabour:
A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez
>mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem...
>Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as
>respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem.
>Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar
>jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa
>semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não
>parecer namoro.
>É tua namorada? - Não, a gente tá ficando. Ficando aonde, cara pálida?
>Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o
>título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de
>propriedade.
>Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa
>dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval,
>comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento -
>não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico.
>Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver
>se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar
>junto,de dividir.
>A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de
>namorado. Pode viajar junto,dormir junto, até ir ao supermercado junto (há
>meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra:
>NAMORO.
>Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo!
>Desafasta. Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência,
>com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo
>de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um
>envolvimento maior que saber nome.
>Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a
>gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque "a gente tá
>ficando" que
>não se deve respeito, carinho, cuidado... Não é porque "a gente tá ficando"
>que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não
>dói ou não é
>filhadaputice ?
>Não é porque "a gente tá ficando" que o outro passa ser mais um número no
>rol das experiências sexuais - e só. Ou é? Tô ficando velho?
>Paciência!
>Jabour
posted by Eduardo |
9:50 AM
Maio 05, 2004
Guia de Baladas:
Santa Aldeia: Balada de surfista de subúrbio: o cara mora em SP, não sabe
nem nadar, só usa surfwear e reclama da cidade.
Armazém da Vila: É onde o RH ou a Informática da sua empresa faz os
aniversários, pode conferir.
Liquid Lounge: É o típico lugar onde os que não entendem de balada fazem
festa, é o Fryday's dos anos modernos.
Trash 80: Antes tinha as gostosas, os bichas e os amigos dos bichas. Agora
tem Bichas, amigos de Bichas e uns perdidos procurando as gostosas que nós
contamos pra eles a um ano atrás.
Vinyl: É meia balada, tem meia pista, meio, bar, metade dos mulheres, meio
banheiro...a fila e o preço das bebidas é o dobro.
Nias: Só tem otário, isso é bom. os otários levam as amigas barangas e vez
por outra as barangas levam amigas médias, agente bebe todas e acha que
pegou só modelo.
Axé Indoor (Credicard Hall, Palace, Estacionamentos e CarnaFaap): Só tem
otário, e isso é ruim, porque realmente tem só os otários e mais ninguém,
nem as mulheres. É a balada que o irmão gordo do surfista de subúrbio vai
porque ouviu que micareta é do caralho.
Blanco: O Absoluto de hoje, crianças pobres vestidas de ricas competindo
pra ver quem fala mais "tudo de bom", o mesmo vale para Cheers, Ibiza e o
resto das baladas da Vila Olímpia.
Noite Black (de qualquer lugar): Babacas brancos que até ontem odiavam os
preto agora fingem que são um.
Barzinhos de domingo à noite (Montecristo, Moça Bonita, etc...): Filinhos
de papai com mais de 30 anos zerando e pagando de bem sucedido.
Azucar: Velhas que não pegam mais homem nas baladas e putas que não pegam
mais clientes nas ruas, todas coexistindo sob o mesmo teto com estrangeiros
pagando bebida pra brasileiros.
Restaurante Japonês: Quando eram crianças iam no MacDonalds, agora que
cresceram vão encontrar a turminha no japonês, só falta um salão de festas
e um palhaço pra animar a galerinha.
Image Club: Pague para entrar, reze para sair. Pra ficar mais ao gosto dos
frequentadores agora a casa não liga mais o ar condicionado e só serve a
cerveja bem quente.
Sirena: O Sirena tem muito a ver com a Disney, só que as filas são maiores
e os personagens ao invés de darem tchauzinho dão porrada.
Posto Faria Lima X Juscelino: Um circo grátis. Mulheres barbadas, arrancada
de Fusca, Corcel com aerofólio, gordão de picape importada e cueca furada,
casal ouvindo música no Voyage com três amigos do cara no banco de
trás...uma biodiversidade que faz peito à da Amazônia.
Moça Bonita: Só se for aquela impressa no cardápio. Secretárias e advogadas
que já dobraram o Cabo da Boa Esperança fazendo cara de sexy pros
entregadores de pizza e manobristas que passam por ali, são amplamente
ignoradas pelos quarentões de moto e jaco de couro no rabo de peixe do
outro lado da rua (que só olham pras motos uns dos outros). Vez por outra
as mulheres conseguem algum gracejo ou final de semana na praia com um
certo proeminete jovem do Tucuruvi.
Pub: O lugar preferido dos zerados por opção. O Pub é onde você pode zerar
sem ser criticado, afinal de contas você foi lá pra tomar cerveja.
Rave: Agora pouco em moda graças ao Black Music, pois os brasieliros
nativos que juram ter vivido em Birminghan, Oslo e Bristol agora tentam se
convencer que vieram do Harlem. Antes achavam bonito esconder o ecstazy da
polícia, agora sonham em entrar na balada com uma pistola cromada
escondida. Quando tem Skol Beats a roupa comprada na Galeria Ouro Fino sai
do armário.
Lucky Scope: Pior do que surfista do subúrbio de São Paulo é surfista do
subúrbio de Santos, na Lucky Scope você vai achar que passar uma tarde num
cartório não é tão ruim assim.
Manga Rosa: Já são quatro e meia e você zerou? Nada está perdido, vá ao
Manga Rosa e divirta-se tomando uma boa surra, apanhar do segurança não é
opcional.
Love Story: Já são seis horas e você zerou? Nada está perdido, vá ao Love
Story e pegue uma DST.
Inauguração de Boate: Aquela boate decadente pintou as paredes, mudou de
nome e agora você conseguiu uma boiada pra ir na inauguração? Você e a
torcida do curíntia mané. Se prepare pra ficar seis horas empurrando na
fila e mais umas duas pra coseguir uma cerveja quente num copo de plástico
(open bar...)
Vila Country: Chapéus, botas, música country e muita gente zerando. O
divertido é ver os coitados dos cowboys tentando seduzir as grodinhas
através de danças bizarras.
Disco: Se você nunca foi à Disco você é pobre. Se já foi uma vez é um pobre
metido. Se já foi muito e a-do-ra, você deve ser uma alpinista social cujo
sonho é dar dentro de uma Ferrari e ainda não descobriu que não tem banco
de trás. Uma dica: sempre que for colar em uma mulher em São Paulo começe
assim "mêuuu! acabei de vir da Disco, passei lá só pra dar um abraço num
amigo meu que faz aniversário"
Ebano: É o Liquid Lounge, só que montado de cabeça pra baixo, o restaurante
para cima e a pista para baixo.
Festa de Faculdade: Divertidíssimo, você pega uma mina e ainda sai na
internet fazendo ela num quartinho.
Barzinho em Pinheiros: Quem disse que em São Paulo a noite só piorou? Em
Pinheiros melhorou muito: os malditos bares faliram todos! Viva a pobreza
dos maconheiros! Que morram todos de fome e sejam tragados pelos vermes!
Reveillon em Florianóplois: O novo Guraujá dos Paulistas, tem tudo pra você
se sentir em casa: Trânsito infernal, todos os carros com placa de São
Paulo, filas pra usar chuveiro na praia...
Micareta: A melhor das diversões, você encontra aquela mina do seu prédio
que você paga um pau, troca beijos eufóricos e depois os dois ficam
constrangidos no elevador fingindo que nada aconteceu.
Meretrício: A equação é simples: amigos zerados + balada miada + bebida =
puteiro. Uma passadinha "só pra acompanhar a galera" e quando você vai ver
já está acordando de ressaca atrasado pro trabalho e duzentos reais mais
pobre.
Bar Léo: O melhor chopp da cidade, o ambiente ao redor é aconchegante como
um campo de concentração sérvio.
Bilionaire: Geroge Lucas se inspirou nos frequentadores pra criar os
monstros do Guerras nas Estrelas, precisa dizer mais?
The Bar: Três andares, cinco ambientes, show de pirofagia e nenhuma janela,
se você achou que a claustrofobia era o que incomodava, espere até conhecer
as meninas de lá.
Buena Vista: Está sem empregada? Buena Vista é o lugar. Você leva pra casa
e ela dá um trato na pia cheia de prato sujo.
Charles Edward: Já ouviu dizer que as idosas atacam no "charlão"? É tudo
verdade. Se pegar uma amiga da sua mãe no flagra, o padrão é cobrar uma
garrafa de Red Label por seu silêncio, você vai entender porque o clube do
uísque é tão popular por lá.
Lov-e: O Lov-e é um lugar ímpar, ninguém gosta, mas todo mundo adora dizer
que acha o máximo.
posted by Eduardo |
5:17 PM
Março 24, 2004
Como diria Billie Joe, do Green Day: "The world is a sick machine, breeding a mass of shit..."
É meio longa, mas vale a pena perder uns 5 minutos
AOL - 18:53 - 19/03/2004
As loucas baladas dos paulistinhas endinheirados
Ecstasy, cocaína, maconha, champanhe, sexo grupal e muita arrogância. A reportagem da AOL acompanhou uma balada da "Geração $", formada por filhos da alta sociedade paulistana
Por Rodrigo Brancatelli
A estudante de Administração Nicole*, de 21 anos, estará daqui a algumas horas desmaiada no quarto 231 do Hospital Alvorada, na zona sul de São Paulo, com a sua calça Gucci suja de vômito e com um cateter na veia por meio do qual ela receberá altas
quantidades de glicose para rebater o efeito do excesso de álcool. Nicole mal irá se lembrar de, no espaço de horas, ter fumado dois cigarros de maconha, tomado um ecstasy na forma de coração e outro na forma das orelhas do Mickey Mouse, bebido uma garrafa inteira de champanhe Möet et Chandon e ter feito sexo com dois garotos que nunca viu na vida.
"Comigo tem que ser assim mesmo. Tudo aos extremos", diz a garota, filha de um conhecido empresário do ramo têxtil. "Gosto de dar para um monte de caras, de misturar Prozac com champanhe, de cheirar cocaína até meu nariz sangrar. E não me importo com a sua opinião moralista, típica da classe média. Tenho dinheiro suficiente para não me preocupar com você ou com mais ninguém. A minha felicidade está na minha conta bancária", dizia ela ao repórter enquanto se preparava para a balada. Nicole faz parte de uma geração escancaradamente frívola e preconceituosa, formada por filhos de gente muito rica. É a "Geração $", como eles gostam de se definir.
Têm a vida inteira pela frente e nenhuma preocupação com assuntos que assombram outras pessoas, como falta de dinheiro ou necessidade de escolha de uma profissão para ganhar a vida. Não há limites para eles. O que mais querem é curtir a juventude com o que acham que têm direito, incluindo drogas, sexo e uma boa dose de sentimento de superioridade. "Eu sou o tipo de pessoa que os pobres e a classe média odeiam porque posso torrar R$ 5 mil em um vestido para usar apenas uma vez e depois encostá-lo no armário", diz Nicole ao repórter. "Não consigo ficar assistindo tevê em casa ou trabalhando em algum escritório
estúpido na frente de um computador. Estou acima disso tudo. O dinheiro dos meus pais me possibilita curtir a vida sem preocupações e sem falsos moralismos". Enquanto fala da vida, Nicole manda o motorista do seu Mercedes preto se
apressar. O relógio Armani no pulso, avaliado em R$ 2 mil, avisa que já passa das 23h e todos seus amigos devem estar esperando furiosos na frente da Disco - conhecida como a balada mais cara e restrita de São Paulo, no bairro de Vila Olímpia, zona Sul da cidade.
É sábado à noite, e a noite de São Paulo nem imagina o que Nicole e seus endinheirados colegas vão aprontar.
"Demorei porque a besta da empregada esqueceu de passar a minha calça Gucci", brinca a garota com os amigos ao descer do carro. "Definitivamente não dá para confiar em pessoas de cabelo pixaim." Fernanda, filha de um banqueiro que mora no Rio de
Janeiro e que mantém apartamento em São Paulo para temporadas, ri escandalosamente da observação da amiga
Nicole. Além de compartilhar da visão do mundo, as duas são fisicamente parecidas.
Morenas, baixinhas e superproduzidas. "Empregada é uma droga mesmo", diz a carioca de 20 anos que largou recentemente a faculdade de Publicidade e ainda não decidiu o quê estudará a seguir. Ela veste um modelito exclusivo assinado pelo estilista Alexandre Herchcovitch.
"Todas as empregadas são ignorantes. É por isso que elas têm de ganhar salário mínimo. É o valor da suas mediocridades."
Fernanda está acompanhada de mais três meninas que aparentam ter a mesma idade e de dois garotos já mais velhos, com mais ou menos 25 anos. Todos têm pais ilustres - duas são filhas de empresários bem sucedidos, a outra é herdeira de um fazendeiro do interior paulista, o garoto loiro é filho de político. Apenas um deles é uma incógnita. Seu nome é Carlos, e sua origem nunca foi colocada em discussão pelos colegas. "Um dia apareceu do nada em uma balada, dirigindo um Porshe Boxter e com muitos ecstasys no bolso. Não precisou explicar de onde vem para ser incluído na turma" explica Nicole. A fila na frente da Disco começa a aumentar, mas uma nota R$ 50 na mão do segurança é o suficiente para que Nicole e seus amigos a furem. A entrada custa R$ 70 para homens e R$35 para mulheres, mas eles desembolsam mais R$ 100 cada um para ter direito a entrar no camarote. "Somos VIP's, merecemos tratamento diferenciado", diz Fernanda, enquanto abre uma garrafa de champanhe Möet et Chandon - a primeira de sete que serão consumidas na noitada. No camarote, fica mais fácil para Carlos disfarçar uma carreira de cocaína
que prepara em cima de uma mesinha de madeira. Os amigos brincam que ele tem o nariz nervoso, não consegue ficar um dia sequer longe do pó. Fernanda percebe o gesto e corre para filar um pouco da droga enquanto Nicole, do outro lado do camarote, amassa a roupa cuidadosamente escolhida com um rapaz mais velho que acabara de encontrar. Dias depois,
procurada pela reportagem da AOL, a direção da Disco, por meio da assessoria de imprensa, diria que os clientes pegos com drogas no interior da casa são colocados para fora.
Depois de duas horas e R$ 890 gastos em bebidas, o grupo decide deixar a balada e procurar algum outro lugar para terminar a noite. Ou melhor, para começá-la de fato. "Vamos para a minha casa, hoje não tem ninguém lá, meus pais estão viajando", sugere Fernanda. "Podemos comprar umas bebidas, ligar para uns amigos e fazer a festa lá mesmo. Com quantas pessoas
será que eu vou transar hoje?"
A idéia de Fernanda até que foi comportada para os seus padrões. Da última vez que convidou os amigos para ir até a sua casa no Jardim Lusitânia - uma mansão na zona Sul de São Paulo com três salas, sete quartos, duas cozinhas, um pátio que se derrama na parte dos fundos com a piscina, uma edícola destinada aos hóspedes dos donos da casa e, num canto, um canil, abrigo de três cães, dois deles belíssimos huskies siberianos -, ela pagou três prostitutas e dois garotos de programa para animar a reunião. De
outra vez, fez uma vaquinha e comprou 100 gramas de cocaína. Tudo foi consumido na mesma noite. Os amigos da garota contam que ela, numa das baladas que deu, fez sexo com três amigos de infância na piscina, ao mesmo tempo, enquanto os vizinhos viam e ouviam tudo.
São quase três horas da madrugada e as pajeros, mercedes e BMW's começam a se enfileirar na porta do número 482. Em pouco tempo, há cerca de 25 jovens no local. Todos da turma são muito parecidos - os garotos vestem camisa de algum estilista famoso e caro, Herchcovitch, Sommer ou Haten, e calça jeans igualmente exclusiva, mas que pareça estar bem suja. Já as meninas só usam preto, sempre de marca estrangeira, e não desgrudam de suas bolsas Louis Vuitton abarrotadas de ecstasys, maconha e, eventualmente, camisinhas. A festinha particular começa a esquentar com uísque 12 anos misturado com energéticos.
Fumaça de charuto e música eletrônica tomam conta da sala principal da mansão de dois andares. Para deixar as meninas mais "soltinhas", os garotos preparam um drink especial com vodca, suco em pó light e comprimidos de ecstasy picados em pedacinhos microscópicos. Quando elas se derem conta, já estarão dançando coladinhas sem as blusas e dando beijos
calientes umas nas outras, no meio da sala decorada com uns poucos móveis antigos, de estilo europeu. Para a maioria delas, não faz a menor diferença saber se tomaram drogas misturadas à bebida porque a intenção é ficar doidas mesmo. "Essas garotas aí estão loucas para dar", aponta o estudante de Administração Thomás, de 22 anos, herdeiro de um médico famoso e amigo de longa data de Fernanda. "A única coisa que elas têm para fazer na vida é gastar o dinheiro da família. As mais novas, aliás, são as mais danadas. Eu, por exemplo, transei com muita menininha filha de 'sei-lá-quem' dentro do meu Civic ou em banheiros de baladas.
Já 'tracei' muitas Lolitas Pilles por aí. Thomás se refere à escritora francesa de 19 anos, que chocou o mundo ao descrever tudo o
que se passa no mundinho milionário de Paris no seu livro de estréia, Hell. A tradução em português chegou às livrarias do Brasil no final de 2003 e vem ocupando lugar de destaque nas prateleiras das livrarias. Nascida em berço de ouro e patricinha assumida, Lolita Pille passou boa parte de sua vida torrando o dinheiro dos pais nas lojas mais caras da capital francesa, desrespeitando regras de trânsito, enchendo a cara em hotéis de luxo e dançando até de manhã nas boates da moda. Quando se cansou da farra, a garota escreveu 224 páginas denunciando a sua geração da forma mais crua possível. A galera endinheirada de Paris não perdoou. Lolita Pille passou a ser barrada nas baladas VIP's. "A 200 km/h pelas ruas de Paris, onde não é bom caminhar
quando estamos no volante, misturamos álcool com cocaína e cocaína com ecstasy", escreve. "Eu sou um produto da Think Pink Generation. Minha crença: seja bela e consuma. Sou a musa do deus 'Aparência', sob o altar do qual eu queimo alegremente todo mês o equivalente ao seu salário". Os relatos de Lolita poderiam muito bem ter sido escritos pela paulistana Nicole, pela
amiga Fernanda, ou por qualquer uma das meninas que dançam e se beijam sem blusa na sala de estar da casa de piso de mármore claro do bairro paulistano de Jardim Lusitânia. "Entrei numa boate aos 14 anos e nunca mais sai", confessa a escritora
francesa em Hell, numa de suas muitas tiradas infanto-niilistas. "De qualquer maneira, o que fazemos é vergonhoso. (...) E daí? É você quem paga a conta? Enfim, por hora está bom para mim. Minha única preocupação é o vestido que vou usar hoje..." O uso de drogas na mansão de Fernanda é tão disseminado que até cinzas de cigarro chegam a ser confundidas com cocaína - e cheiradas sem que ninguém note a diferença. Num canto da sala, três caras fumam maconha e dividem uma pedra de ice, droga sintética,
derivada da anfetamina, que parece um cubo de gelo, sem se importar com a presença de um estranho, o repórter da AOL. Noutro, duas adolescentes que não aparentam ter mais de 15 anos cheiram um vidro inteiro de B-25, ou cloreto de metileno, mais conhecido como cola de acrílico. E isso sem falar nas cápsulas de efedrina, de efeito estimulante, oferecidas como se fossem balas de goma. Nicole, então, já usou e abusou de tudo nesta festa. E mesmo assim ela ainda quer mais. Em uma só tacada, engole dois comprimidos de ecstasy que estavam jogados em cima da bancada americana, plantada no meio da espaçosa cozinha principal, toda equipada com eletrodomésticos em aço inox. Um comprimido é rosa na forma de coração e o outro azul na
forma das orelhas do personagem Mickey Mouse. "Tô bem, tô bem, ainda tô sóbria", balbucia, pouco antes de tropeçar em uma cadeira e cair estatelada no chão. Dois caras levantam Nicole e carregam o seu corpo praticamente inanimado para uma das
suítes do primeiro andar da casa. É o quarto dos pais de Fernanda que a essa altura está chorando copiosamente no banheiro, em uma crise nervosa causada pela cocaína. Nicole acorda e puxa os dois garotos desconhecidos para a cama, tira as calças e
começa a fazer sexo sem se preocupar com os olhares curiosos dos que estão olhando pela porta aberta. O show não dura muito tempo - minutos depois, Nicole levanta correndo e tenta chegar até o banheiro. Em vão. Ela acaba vomitando em cima de um dos garotos, no piso de mármore. Vomita tanto que sai até bile. "Sério que eu fiz tudo isso mesmo?", perguntaria Nicole mais tarde,
enquanto deixava o quarto 231 do Hospital Alvorada. O braço direito até dóia de tanta glicose que foi injetada na sua veia. Com olheiras enormes, sua amiga Fernanda só tinha forças para responder afirmativamente com a cabeça. "Que saco! Eu sempre apago nos melhores momentos. Mas tudo bem, semana que vem tem mais. Fê, você tem certeza que não foi um plantonistazinho de merda que me atendeu? Porque esses residentes não sabem de nada, ganham uma merreca... Não posso ser atendida por um imbecil qualquer."
posted by Eduardo |
11:48 AM
AMOR
Enfermidade temporária que se cura com o casamento.
DANÇAR
É a frustração vertical de um desejo horizontal.
CÉREBRO
Órgão que serve para que pensemos que pensamos.
ESCOTEIROS
40 crianças vestidas de idiota, comandadas por um idiota vestido de criança.
DOR DE CABEÇA
Anticoncepcional mais usado pela mulher destes tempos.
VIRGEM
Menina de 9 anos, muito feia, que corre mais que o primo .
EXAME ORAL
Prova para conseguir um estágio na Casa Branca.
LÍNGUA
Órgão sexual que os antigos usavam para falar.
UROLOGISTA
Especialista que vê o seu pênis com desprezo, o pega com nojo e lhe cobra como se o houvesse
chupado.
CONFIANÇA
Via livre que se dá a uma pessoa para que cometa uma série de abusos.
DIPLOMACIA
Arte de dizer "lindo cachorro", até encontrar uma pedra para atirar nele.
FÁCIL
Diz-se da mulher que tem a moral sexual de um homem.
GINECOLOGISTA
Especialista que trabalha no lugar onde outros se divertem.
HERÓI
Indivíduo que, diferentemente do resto, não pôde sair correndo.
HOMEM
Ser masculino que durante seus primeiros nove meses de vida quer sair de um lugar em que tenta
entrar pelo resto de sua vida.
INDIFERENÇA
Atitude que uma mulher adota perante um homem que não lhe interessa, que é interpretada pelo homem
como se estivesse "se fazendo de difícil".
INTELECTUAL
Indivíduo capaz de pensar por mais de duas horas em algo que não seja sexo.
MODÉSTIA
Reconhecer que não se é perfeito, mas sem dizêlo a ninguém.
NINFOMANÍACA
Termo com o qual um homem define uma mulher que deseja fazer sexo mais vezes que ele.
TRABALHO EM EQUIPE
Possibilidade de colocar a culpa nos outros.
é...depois quando eu falo que o mundo está em constante entropia moral, me xingam.
posted by Eduardo |
10:51 AM
Março 16, 2004
Ontem assisti um filme, acho que na HBO, chamava "Commited" com a Heather Graham, e quem aparece no filme? Nada mais nada menos do que Art Alexakis (everclear)...ele faz o papel de um cara meio desesperado que encontra com a Heather quando estava prester a roubar um carro, ela conversa com ele e ele está totalmente perdido, querendo voltar pra casa da mãe dele e ficar limpo, só que não tinha grana....ela empresta a grana pra ele....no final do filme ele volta pra devolver, e ela pergunta se ele tava afim de uma breja, e ele responde que não...só suco...hahahah comédia.
posted by Eduardo |
11:43 AM
Março 15, 2004
Essa vai pros meus amigos de verdade:
"Fall Back Down" - RANCID
Don’t worry about me I’m gonna make it alright
Got my enemies cross haired and in my sight
I take a bad situation gonna make it right
In the shadows of darkness I stand in the light
Ya see it’s my style and I’ll keep true
I had a bad year but I got through
I’ve been knocked out, beat down, black and blue
She’s not the one coming back for you
She’s not the one coming back for you
If I fall back down
You’re gonna help me back up again
If I fall back down
You’re gonna be my friend
It takes disaster to learn a lesson
We’re gonna make it through the darkest nights
Some people pretend to make a reason
But that one make everything alright
Well the rest of times they don’t faze me
Even if I look and act pretty crazy
On my way down she betrayed me
Now my vision is no longer hazy
See I’m very lucky to have my crew
They stood by me when she flew
I’ve been knocked out, beat down, black and blue
She’s not the one coming back for you
She’s not the one coming back for you
If I fall back down
You’re gonna help me back up again
If I fall back down
You’re gonna be my friend.
posted by Eduardo |
4:17 PM
She was Jesus you were Satan
Red lights flashing you saw green
Went ahead full bore.
posted by Eduardo |
12:54 PM
I don't believe in the apocalypse
I don't believe in the end of time
I don't believe in the solar eclipse
I don't believe in valentines
I don't believe I asked opinion
I don't believe I stretched the truth
I am not looking for a bargain
All I really believe in is you
I don't believe in everything I've read
I don't believe in promises
I don't believe in compromising
My own beliefs inside my head.
posted by Eduardo |
12:51 PM
Pra cada ação, uma reação...
posted by Eduardo |
12:49 PM
Hoje entendo a linha tênue paradoxal de algumas coisas...
posted by Eduardo |
12:49 PM
Nem vou colocar em itálico as passagens da letra que eu acho foda, pq essa música inteira é foda...diz muita coisa.
The Background - Third Eye Blind
Everything is quiet,
Since you're not around,
And I live in the numbness now,
In the background,
I do the things we did before,
I walk Haight Street to the store,
And they say where's that crazy girl?
You don't get drunk on red wine,
And fight no more,
'Cause I don't see you anymore,
Since the hospital,
But the plans I make
Still have you in them,
Then you come swimming into view,
And I'm hanging on your words
Like I always used to do,
The words they use so lightly,
I only feel for you,
I only know this cause I am,
Way back down,
In the background,
Words they come
And memories all repeat,
I lift your head while,
They change the hospital sheets,
I would never lie to you,
No I would never lie to you,
I felt you long after we were through,
And the plans I make still have you in them,
Cause you come swimming into view,
And I'm hanging on your words
Like I always used to do,
The words they use so lightly,
I only feel for you,
I only know this cause I am,
Way back down,
In the background.
posted by Eduardo |
12:22 PM
Março 11, 2004
Ouça Invisible Ink, da Aimee Mann.
posted by Eduardo |
11:35 AM
Março 03, 2004
She Loves Me Not
when i see her eyes
look into my eyes
then i realize that
she could see inside my head
so i close my eyes
thinking that i could hide
disassociate so i don't have to lose my head
this situation leads to agitation
will she cut me off?
will this be amputation?
i don't know if i care
i'm the jerk
life's not fair
fighting all the time
this is out of line
she loves me not
do you realize I won't compromise
she loves me not
over the past five years
i have shed my tears
i have drank my beers and watched my fears fly away
until this day
she still swings my way
but it's sad to say sometimes
she says she loves me not
i hesitate
to tell her i hate
this relationship
i want out today
this is over
line for line
rhyme for rhyme
sometimes we be fightin' all the goddamn time -it's making me sick
relationship is getting ill
piss drunk stupid
mad
on the real
could you feel what I feel
what's the deal girl
we're tearing up each other's world
we should be in harmony
boy and girl
that is the promise we made
back in the day
we told each other things wouldn't be this way
i think we should work this out
it's all right baby we can scream and shout
life's not fair
i'm the jerk
she loves me not...
posted by Eduardo |
3:05 PM
Fevereiro 19, 2004
Realmente é verdade !!!!!!!!
não deixem de ler!!!
JÁ SE VIU NUMA SITUAÇÃO ASSIM?
Tudo bem. Queremos homens legais, sexys, tarados, bonitos, inteligentes e ricos...
Muito fácil falar, pois quando aparece um assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: Oba, me dei bem.
Ficamos com eles uma vez, duas. Começamos a pensar que esse é o cara que as nossas mães gostariam de ter como genros. Se sair um namoro, vai ser uma relação estável.Ele vai te buscar na faculdade, vcs vão no cinema, num barzinho, vai ter sexo toda a semana... Tudo básico, até virar uma rotina sem graça..
Vc vai olhar as meninas lindas e maravilhosas indo pra noite arrasar e vai morrer de inveja.
Vai sentir falta de ouvir aquelas cantadas idiotas na noite, falta de dar umas olhadas para um gatinho, ou de dar aquela dançadinha mais provocativa na pista.
Vc pensa: Acho que não estou pronta pra isso.
E o bom menino se transforma num mala, e aos poucos vai surgindo um nojinho, uma aversão. Quando tu vê o nome dele no celular, não dá vontade de atender...
JÁ ERA.
Daí aquela promessa de vida estável vai por água a baixo, se o cara não se dá conta,a gente começa a ser grossa, muito grossa.
E o pobre menino pensa: O que eu fiz??
Coitado, ele não fez nada, a culpa é nossa mesmo...
Aí, a gente volta pra nossa vidinha, que a gente odiava até duas semanas atrás.
A gente não vê a hora de sair e arrasar na noite...Grande ilusão.
Vc chega em casa depois da balada, sozinha e fica tentando descobrir porque vc não está satisfeita.
De repente foi pq o cara da night, o lindo, gostoso, misterioso,ficou contigo, passou a mão, tentou algo mais, mas nem sequer pediu o número do teu telefone.
FRUSTRAÇÃO.
Daí, por mais q vc não queira, vc pensa no menino bonzinho que vc deixou pra trás ...
Enquanto isso, o bom menino, chateado, lesado, custa a entender o que ele fez pra ter te afastado dele ...
Daí essa dúvida vira angústia, que vira raiva.
Aí o cara manda tudo a puta que pariu ...
Não quer mais saber de nada, só de pegar muita mulher.
Resolve não se envolver mais, pra não sair lesado, chutado ou chateado...
Muito bem, acabamos de criar um monstro, um cachorro ...
O tempo passa e a gente continua na mesma ...
Volta a eclamar da vida e dos homens.
Só queremos coisas com homens cachorros, que não estão nem aí pra nós...
Eles são assim por culpa nossa.
O nosso cachorro de hoje, era o bom menino de outra ontem ... e assim sucessivamente...
Provavelmente, esse nosso ex-bom menino, deve estar enlouquecendo a cabeça de outra por aí...
E agora?
Qual é a solução???"
O Impressionante é que se vc parar pra pensar, tanto vc já criou um cachorro" quanto tb já "catou" um que foi criado por outra...
AS MULHERES ASSUMIRAM A CULPA!!!(Veríssimo)
posted by Eduardo |
12:05 PM
Fevereiro 18, 2004
What’s the matter with the truth, did I offend your ears?
posted by Eduardo |
11:22 AM
I could hurt you now - Aimee Mann
This is for the one who was false
Who taught me about building walls
One who could always turn it around
To leave me here on shaky ground
This is for the one who made good
In someone else’s neighborhood
One who was never anything but
The shifty eye of sheer bad luck
Once I thought that I would never forget
And I have not quite done that yet
But I could hurt you now
I could hurt you now
This is for the time that I lost
The death of who I thought I was
The things in which I cannot believe
For fear I’ll wear them on my sleeve
Things I know that will never be returned
But I crossed that bridge before it burned
So I could hurt you now
I could hurt you now
(listen, You just don’t get it, do you)
I could hurt you now
(tell you what I’ll do
I’ll get that message to you)
Maybe it leaves an invisible scar
But I have not come quite that far
But I could hurt you now
(listen, You just don’t get it, do you)
I could hurt you now
(tell you what I’ll do
I’ll get that message to you)
posted by Eduardo |
11:21 AM
Fevereiro 16, 2004
How's It Going to Be - Third Eye Blind
I'm only pretty sure that I can't take anymore,
Before you take a swing,
I wonder
What are we fighting for?
When I say out loud,
I want to get out of this,
I wonder
Is there anything
I'm going to miss,
I wonder how's it going to be,
When you don't know me,
How's it going to be,
When you're sure I'm not there,
How's it going to be,
When there is no one there to talk about,
How's it going to be,
'Cause I don't care,
How's it going to be,
Where we used to laugh,
There's a shouting match,
Sharp as a thumbnail scratch,
A silence I can't ignore,
Like...
The hammocks and the doorways we spent time in,
Swing empty,
Don't see lightning like last fall
When it was always about to hit me,
I guess that's how it's going to be
Want to get back in again
The soft dive of oblivion.
posted by Eduardo |
11:49 AM
Fevereiro 13, 2004
Amanhã dia 14 (valentine`s day....) fico mais velho, um ano a menos de vida.
posted by Eduardo |
10:51 AM
Essa letra do everclear está tendo cada dia mais sentido.
For Pete's Sake
We had a mutual friend and he said
You've been talking again
I'm not responsible for your life falling apart
I'm not responsible
You and me could have been the best friends
That we'd never had
You've done everything that you could to damage me, damage me
I'm walking away
I'm closing my eyes
I'm letting it go, letting it go
Hey I'm telling you now
I'm drawing the line
Don't say it again
Just keep it inside
It happened to me, in love with the same girl
Nobody's fault, yeah nobody's fault
Hey maybe for the first time act like a grown man
Yeah keep it in
You and me could have been the best friends
But we'd never had the best friends
I'm walking away, letting it go
I'm closing my eyes
I'm telling you now
I'm lonely again, just keep it inside
Hey, it happened to me, in love with the same girl
It happened to me, me over you
Hey maybe for the first time act like a grown man
Keep it in
Yeah keep it in
posted by Eduardo |
10:45 AM
Fevereiro 11, 2004
Apathy has rained on me
Now I'm feeling like a soggy dream
So close to drowning but I DON'T MIND
I've lived inside this mental cave
Throw my emotions in the grave
hell,who needs them anyway?
posted by Eduardo |
10:24 AM
Tell me what I already know:
That we can't talk about it.
No, we can't talk about it.
Because nobody knows,
that's how I nearly fell,
History shows
there's not a chance in hell.
posted by Eduardo |
10:15 AM
Sometimes i think that letting go is just like giving up.
posted by Eduardo |
10:10 AM
Never said i was inocent, never said i was anything good, i just wanna help you forget.
We are still living in broken glass, let me be the one to make the pain go away...you don`t have to like it, but it`s in my hands now.
posted by Eduardo |
10:08 AM
Ok, faz tempo que não posto um "Top 5", vamos lá;
Top 5 Vocais Femininos;
-Fiona Apple
-Aimee Mann
-Sarah Mclachlan
-Diana Krall
-Sixpence None The Richer (é banda, mas é com vocal feminino...)
posted by Eduardo |
10:07 AM
Dica da Semana: Ouça MxPx !
Misplaced Memories
If I could take what I've learned
From all the mistakes I've made
From the pages that I've turned
From the lost games that I've played
I'd be a better person for it
Better than deciding to ignore it
It meant so much to me
I want to make things right with you and me
Misplaced memories I've, retraced my steps so many times
Well maybe it was meant to be
And maybe all the answers are right here in front of me/
What else can I say, I let the past get to me
If things could go differently
If we could learn to agree
I'm willing to apologize
Because I realize
Seems like yesterday...
posted by Eduardo |
9:57 AM
Fevereiro 09, 2004
Segue abaixo letras de Aimee Mann, impressionante como ao longo desses últimos anos, tem criado um significado cada dia maior nas coisas que vejo e vivo.
posted by Eduardo |
10:59 AM
Nothing is Good Enough - Aimee Mann
Once upon a time is how it always goes
But I’ll make it brief
What was started out with such excitement
Now I’d gladly end end with relief
In what now has become a familiar motif:
That nothing is good enough
For people like you
Who have to have someone take the fall
And something to sabotage--
Determined to lose it all
Critics at their worst could never criticize
The way that you do
No, there’s no one else, I find,
To undermine or dash a hope
Quite like you
And you do it so casually, too
Cause nothing is good enough
For people like you
Who have to have someone take the fall
And something to sabotage--
Determined to lose it all
Ladies and gentlemen--
Here’s exhibit a
Didn’t I try again?
And did the effort pay?
Wouldn’t a smarter man
Simply walk away?
It doesn’t really help that you can never say
What you’re looking for
But you’ll know it when you hear it,
Know it when you see it walk through the door
So you say--
So you’ve said many times before
But nothing is good enough
For people like you
Who have to have someone take the fall
And something to sabotage--
Determined to lose it all
posted by Eduardo |
10:58 AM
How Am I Different? - Aimee Mann
I can’t do it
I can’t conceive
You’re everything you’re trying to make me believe
Cause this show is
Too well designed
Too well to be held with only me in mind
And how am I different?
How am I different?
How am I different?
I can’t do it
So move along
Do you really want to wait until I prove you wrong?
And don’t tell me--
Let me guess
I could change it all around if I would just say yes
But how am I different?
How am I different?
How am I different?
And just one question before I pack--
When you fuck it up later,
Do I get my money back?
I can’t do it
And as for you--
Can you in good conscience even ask me to
Cause what do you care
About the great divide
As long as you come down
On the winner’s side
And how am I different?
How am I different?
How am I different?
Just one question before I pack--
When you fuck it up later,
Do I get my money back?
posted by Eduardo |
10:57 AM
Tá ai a letra;
Aimee Mann - Driving Sideways
At least you know
You were taken by a pro
I know just how you feel
She talked a perfect game
Deflecting all the blame
You took the jack
And changed the flat
And got behind the wheel--
Now you’re
Driving sideways
Taken in by the scenery
As you’re propelled along
And your companion
Will not help you to navigate
For fear she may be wrong
And you will say
That you’re making headway
And put it in overdrive
But you’re mistaking speed
For getting what you need
And never even noticing
You never do arrive
Cause you’re
Driving sideways
If you roll down the window you’ll see
You’re where you don’t belong
And your companion
Will not help you to navigate
For fear she may be wrong
And you’re powered by
The hopeful lie
That it’s just around the bend
And when this, by default
Comes screeching to a halt
Let’s hope that you
Know what to do
To start it up again
Driving sideways
Hitting scan on the radio
So she can sing along
And she’ll sit
Thinking you’re going to handle it
Until she’s proven wrong
Until she’s proven wrong
Until you prove her wrong.
posted by Eduardo |
10:55 AM
Dica musical..por favor ouça: Aimee Mann - Driving Sideways
posted by Eduardo |
10:51 AM
Why are you afraid to talk to me?
posted by Eduardo |
10:34 AM
Aqui se faz, aqui se paga.
posted by Eduardo |
10:32 AM
Maybe I overstayed a while in my time in exile.
posted by Eduardo |
10:28 AM
The World is round....and come around you.
posted by Eduardo |
10:27 AM
Baile de formatura, perfeito, muito bom! Isso sem falar do Dia do Formando no Novotel...show de bola!! Valeu Galera!
posted by Eduardo |
10:27 AM
Fevereiro 05, 2004
Yes I know there ain't no finish line, I know this never ends
But I'm just learning how to fall, climb back up again
I know there is nothing perfect, I know there is nothing new
We are just learning how to live together, me and you.
posted by Eduardo |
2:40 PM
Why there is no perfect place, yes I know this is true
I'm just learning how to smile
That's not easy to do
posted by Eduardo |
2:39 PM
I know all about that other guy
The handsome man with athletic thighs
I know about all the times before
With that obsessive little rich boy
They might think you're happy
Yeah maybe for a minute or two
They can't make you laugh
No they can't make you feel the way that I do.
posted by Eduardo |
2:36 PM
I will buy you a garden where your flowers can bloom
I will buy you a new car, perfect shiny and new
I will buy you that big house way up in the west hills
I will buy you a new life
Yes I will.
posted by Eduardo |
2:35 PM
Turn away from the pain you don't want
Turnin' down to avoid them when they call.
posted by Eduardo |
2:34 PM
I'd spend all my time wasted dull, damaged, and blind.
posted by Eduardo |
2:31 PM
Watch and wonder as the pretty things spin and burn,
Swing and missing all.
Almost every time.
posted by Eduardo |
2:31 PM
Outra dica musical...ouça The Influents.
posted by Eduardo |
2:30 PM
Everything means nothing to me.
posted by Eduardo |
2:30 PM
Sometimes I think:
Letting go is just like giving up.
Sometimes all I think about is falling apart.
posted by Eduardo |
2:28 PM
Let me be the one to make the pain go away.
posted by Eduardo |
2:28 PM
Acho que todos carregamos um fardo nessa vida...buscar felicidade. Buscamos em alguém, em alguma coisa, em algum lugar, em algum tempo. A questão é...se você não ser feliz por você mesmo, ninguém, nada, lugar algum, nunca fará isso por você. Encaramos felicidade como investimento...depositamos nossa confiança em algúem, nossos recursos em algo, nosso tempo em algum lugar e nós mesmos no tempo que temos. Digo isso pois sou como você....estou buscando minha felicidade, seja com alguém que julgue especial, seja tomando uma cerveja num bar a noite. Coitado de nós que só queremos ser felizes e mal sabemos que isso se esconde atrás de nossos ossos. É a felicidade não está diretamente ligada aos padrões de beleza, estilos de vida, bens materiais, viagens que vemos em propagandas (falo isso por que sei...isso é o que me irrita em ser publicitário...esse universo demodê criado para consumo...mas isso é assunto pra outra pauta...voltando...). Felicidade requer concentração, dedicação, disciplina...é...disciplina...porque não ter como meta ser feliz...? Sou suspeito a dar conselhos, mas não temo as consequências...Busque inspiração pra ser feliz em pequenas coisas, dê uma olhada ao redor, filtre o que lhe perturba (sei que é díficil...mas não impossível...) passe um tempo sozinho....aprenda mais sobre você, desafie-se, melhore-se....é...tem coisas em você que você não vai gostar...não estou falando da barriga, do cabelo....e sim do seu jeito....observe-se...repito..sou como você, imperfeito...
O caminho mais tortuoso e longo que temos que percorrer está entre o coração e a mente, e nessa trilha está a felicidade.
posted by Eduardo |
2:18 PM
Can you still feel the butterflyies?
posted by Eduardo |
1:56 PM
Banda do dia: Faith no more...música: Digging the grave.
posted by Eduardo |
1:53 PM
Baile de formatura, no outro sábado fico mais velho, e logo em seguida carnaval...até o hospital!! glicose 3 sábados na sequência.
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1:48 PM
101%
posted by Eduardo |
1:46 PM
Coisas Feias, parte 01:
-Cuspir pra cima. Hum!..., que feio hein! Mas o mundo (como sempre digo!) é redondo e tem gravidade, então de um jeito (caindo na própria cara) ou de outro (na nuca) volta pra você, entendeu?
posted by Eduardo |
1:42 PM
Fevereiro 03, 2004
Segue relação atualizada das pérolas do ENEM. São trechos das redações escritas pelos alunos que fizeram a prova.
O que está entre parênteses são os comentários dos professores. Sem demais
comentários... basta rir e lamentar...onde vamos parar?
O sero mano tem uma missão..."
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)
"O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas.."
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)
"O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!"
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)
"Enquanto isso os Zoutros... tudo baixo nive..."
(Seja sempre você mesmo!!)
"A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem Mata
Atlântica da região."
(E, além de tudo, viajam pra caramba, hein?)
"O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém
individualmente."
(Entendeu ?)
"Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele."
(Faz sentido)
"O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes."
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)
"É um problema de muita gravidez."
(Com certeza... se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)
"A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO."
(Sem comentário)
"Já está muito de difícil de achar os pandas na Amazônia"
(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá )
"A natureza brasileira tem 500 anos e já está quase se acabando"
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)
"O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destrói, pois nos temos
que nos unir para realizarmos parcerias juntos."
(Não conte comigo)
"Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds
Egipte
seria um bom beneficácio para o Brasil" (Vamos trocar as fumaças pelas
moto-serras)
"Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros"
(Com algumas diferenças básicas!!)
"... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas."
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)
"... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras."
(Vocês não sabiam que os animais também tem depressão?)
"Nesta terra ensi plantando tudo dá."
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)
"Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia."
(Meu Deus... Haja pára-raio!)
"Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado."
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu, o verde
representaas matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas
estão quase se indo.. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem
bandeira."
(Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito "Ordem e Progresso".)
"Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre o araras azuls que
ficam sob voando as matas."
(Talvez por terem complexo de urubus!)
"... são formados pelas bacias esferográficas."
(Imaginem as bacias da BIC .)
"Eu concordo em gênero e número igual."
(Eu discordo!)
"Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira
lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si
próprio."
(Concordo: depredação de si mesmo!)
"O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as
seringas."
(Estas podem ser derrubadas porque são descartáveis)
"A concentização é um fato esperansoso para todo território mundial."
(Haja coração!)
"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos."
(Que maravilha!)
posted by Eduardo |
1:14 PM
Notícia do Green Day.com.br:
Comercial da Pepsi/iTunes para download
Este Domingo, 1º de Fevereiro, passará o comercial da Pepsi/iTunes durante o Superbowl, onde o Green Day gravou a música I Fought The Law que faz parte do comercial. Este comercial notavelmente inovador, contendo 16 adolescente que foram realmente processados pela indústria fonográfica por estarem baixando músicas ilegalmente da internet, mostrando aos fãs da música um novo jeito legal e gratuito de baixarem música - o Pepsi iTunes disponibiliza por 2 meses 100 milhões de músicas de brinde. É com exclusividade que a GreenDay.com.br lança para download o video do comercial, que necessita do Quicktime para visualizá-lo. Clique abaixo para fazer o download.
Pepsi iTunes Comercial
posted by Eduardo |
9:01 AM
Fevereiro 02, 2004
Anything - Third eye blind
Anything for you
Turn my castles blue
Turn my bones to sand
Just to see you
I'll give you anything
I'll give you anything
I'll give you anything
Jackie O with the top down, open
All the words to what’s unspoken
I'll put together everything that's broken
Just to see you
I'll give you anything
I'll give you anything
I'll give you anything
Jackie O with the top down, open
A king’s horse for what's been broken
I'll bring back even what’s unspoken
Just to see you
I'll give you anything
I'll give you anything
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10:15 AM
Janeiro 30, 2004
Pirem nesse site.
posted by Eduardo |
6:06 PM
"Live Freaky! Die Freaky!"
"Live Freaky! Die Freaky!" é um filme feito de fantoches/bonecos de massinha que possui como dubladores ninguém menos que Billie Joe Armstrong (Green Day), Tim Armstrong, Lars Frederiksen, Brett Reed e Matt Freeman (Rancid), Rob Ashton (The Transplants), Travis Barker (Blink 182), John Doe (X), Warren Fitzgerald e Josh Freese ¨(The Vandals), Davey Havok (AFI), Theo Kogan (Lunachicks), Sean Yseult (ex-White Zombie) e Benji Madden (Good Charlotte). O filme já possui um site oficial com um curto trailer e algumas imagens."Live Freaky! Die Freaky!" é uma produção da Hellcat Records.
Live Freaky! Die Freaky! (Viva Doido! Morra Doido! Esse é o nome de um filme que se passa no ano de 3069, em um mundo devastado pela gerra. O que estão vivos continuam a procura de uma solução, a procura de comida e em busca de Deus, e aí que finalmente entra Charles Mansons, que voltará para salvá-los. Essa loucura artística é dirigida por John Roecker e será lançado em Dezembro. Tim Armstrong será o narrador do filme e também do personagem principal, e Billie Joe Armstrong encarnará o tal personagem.
"Charlie" - Cantor e guitarrista da banda Green Day, mais conhecido como o caixa principal da Rite Aid em Oakland. Todo santo dia por volta de 9 da manhã em ponto ele vai pra loja e ainda dá uma olhada em suas correspondências. Ele espera pelos clientes, e quando eles chegam com suas compras ele as contabiliza e as coloca em sacolas para devolver à eles. Resumindo, a vida dele é mesmo um saco.
O site saiu fora do ar há poucos dias.
posted by Eduardo |
9:42 AM
Senhor Billie Joe Armstrong no studio gravando o novo do green day:

posted by Eduardo |
9:40 AM
Foi lançado ontem nos USA, dia 27/01, o tão esperado 1,039/Smoothed Out Slappy Hours remasterizado. Já foi dito em algumas atualizações da GreenDay.com.br o conteúdo deste CD, mas estamos divulgando aqui para aqueles que ainda não saibam. A edição conta com mais de 20 minutos de performances ao vivo, em video, músicas bônus ao vivo na rádio em versão voz e violão, fotos inéditas, rascunhos das letras escritas pelo Billie Joe, flyers dos shows, etc. Aguardem que em breve teremos mais novidades sobre este CD.
O primeiro álbum do Green Day, 39/Smooth está de volta numa nova edição de luxo. Originalmente lançado em 1990 com 900.000 cópias vendidas até hoje, esse álbum é o primeiro brilho do Green Day para o mundo, uma mistura única de energia punk rock, riffs melódicos e um charme desvalorizado. Green Day é a banda de punk rock mais popular do mundo hoje, com milhões de fãs espalhados pelo mundo. Cada faixa foi remasterizada das fitas originais por Bernie Grundman em 2003. Esse álbum histórico soa melhor do que nunca e está disponível por um novo preço baixo. Mais por menos, como isso pode estar errado?
posted by Eduardo |
9:36 AM
Continuando o texto publicado dias atrás:
A Criação
As maravilhosas opções do mundo da Propaganda I – A Criação
Então, você não desistiu? Leu o meu texto, me mandou uma resposta mal-educada, continua a cursar publicidade e ainda corre atrás de um estágio. Muito bem. O mundo é feito de perseverantes. De lutadores. Veja o que aconteceu com aquele chinesinho que ficou em frente aos tanques na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Morreu, óbvio. Mas enfim, falemos do que interessa. Já que você não desistiu, é bom que alguém lhe fale das maravilhosas opções que o mundo da Propaganda pode oferecer. Vou falar sobre as três áreas umbrella (acredite, você um dia vai estar falando assim também), uma de cada vez, em textos separados, para que você possa ler e refletir com cuidado. E também me mandar e-mails mal-educados, se for o caso.
Comecemos então, do começo. A Criação. No princípio Deus criou os céus e a terra…opa, desculpa, confundi a Criação com algo menos importante. Digam o que quiserem, se existe algo que seja realmente importante na publicidade, é a Criação (um exemplo, procure a coluna "atendimento" ou "mídia" aqui no menu, logo acima do texto. Não encontrou? Pois é…). Trabalhar em Criação, mesmo sem saber o que é direito, é o desejo de 100% daqueles que ingressam numa faculdade de publicidade. Afinal, trata-se de criar aquilo que as pessoas vêem (ou não) nas revistas, outdoors, televisão. Ninguém entra na faculdade por ter uma vontade incontrolável de ser mídia ou atendimento, já que geralmente nem sabem o que essas coisas são e nem para que servem (eu mesmo ainda não descobri). Não vou, de novo, falar das motivações que fazem alguém escolher essa carreira, mas já que você não desistiu (se não leu o meu texto anterior ainda, sugiro que o faça antes de continuar) e quer trabalhar em Criação, vamos lá.
A Criação, onde trabalham os criativos (um lindo nome pra dizer às pessoas normais quando lhe perguntam: "o que é que você faz" – "sou criativo". Com certeza elas têm vontade de dizer: "e eu sou engraçado, bonito, inteligente. E ainda tenho uma profissão") é um ambiente magnífico. Que geralmente até às 10h30 da manhã está deserto. É nessa hora que começam a chegar os primeiros habitantes (em geral, estagiários). Até às 6 da tarde os cérebros ainda estão a aquecer e só pelas 8 da noite começam a trabalhar. Ficam nessa atividade incessante até 2 da manhã e, por isso, não podem chegar antes das 10 ou 11 no dia seguinte. Faz sentido. Há dois tipos básicos de Criação: a "Túmulo" (onde ninguém abre a boca e cada riso um pouquinho mais alto pode atrapalhar a concentração de quem está no ICQ ou vendo um site de sacanagem, ou lendo uma revista) e a "Casa da Mãe Joana" (onde todo mundo ri alto, faz bagunça, conta piadas sujas, tira sarro dos atendimentos e vê e-mails com mulheres de pernas arreganhadas na frente da Sra. do café). Quem escolhe qual dos dois rumos a equipe vai seguir é o todo-poderoso Diretor de Criação, uma espécie de Bruce Almighty que esqueceu de devolver os poderes a Deus. Os seus seguidores, considerados deuses menores, mas ainda assim, deuses, são divididos em Redatores e Diretores de Arte. E ainda há os semideuses (Assistentes de Arte) e anjos (Estagiários). E assim é formado o Céu, o Olimpo. Na verdade, um Inferno.
Mas como adentrar ao Paraíso? Há varias formas. Conhecer São Pedro ajuda, geralmente é meio caminho andado. Para começar sua carreira como querubim ou serafim, ser amigo de alguém na direção da empresa é primordial. O bom mesmo é ser filho de cliente, mas isto nem todos conseguem (por um lado é bom, imagine ser filho de um Diretor de Marketing, que triste sina). Vale também conhecer o dono ou o Diretor de Criação. Menos do que isso, nem perca tempo. Se você conhece um Redator ou Diretor de arte, de pouco isso vai adiantar. Eles geralmente têm muitas outras coisas pra fazer, em vez de mostrar a pasta de alguém que pode ser melhor do que eles ao Diretor de Criação. Um amigo meu, após mostrar uma pasta fabulosa a um Redator em ascenção (hoje dono de uma agência) ouviu dele: "A sua pasta é muito boa, você é brilhante. Mas de Redatores brilhantes aqui, basto eu". Esse pelo menos foi sincero. Mas quem disse que entrar no Céu é coisa pra qualquer um? Então já sabe: se não conseguir falar com o Diretor de Criação ou com o dono, a possibilidade de fazer um estágio na Criação é remota, quase que inexistente. Mesmo com uma pasta maravilhosa. Mesmo com trabalhos dignos de Grand Prix em Cannes. Mesmo se for um génio, falar 12 línguas, ter se formado em primeiro lugar na ESPM. Como dizem os Testemunhas de Jeová, só há 144 mil vagas no céu (pra quase 7 bilhões de habitantes na Terra). A proporção de vagas na Criação é ainda mais apertada. Portanto, sem ser repetitivo, se você não tiver um pistolão, ou melhor, uma bazuca, desista. Ah, se você for mulher e for gostosa, vale a pena tentar. Se for uma baranga, esqueça. Seu lugar é na mídia, mas isso veremos mais tarde.
Vamos supor então que você tenha conseguido entrar. Agora é um aprendiz, um pupilo, cheio de vontade de aprender, muita garra e determinação. O problema é que ninguém vai estar afim de lhe ensinar nada. Mesmo porquê, eles sabem que não há nada para ser ensinado. Pra ser Redator, basta ter conhecimentos básicos de português (nem precisa ser lá muito fluente, há sempre uma revisora pra corrigir os seus deslizes ou reescrever o seu texto). Para ser Diretor de Arte, um mínimo de gosto (bom ou mau) e conhecimentos básicos de Photoshop. Mas mesmo isso, os assistentes de arte podem fazer tudo por você (se você for muito bom no Photoshop pode ficar como assistente de arte para sempre, cuidado). O que importa mesmo, a partir do momento que entrar na Criação, é fazer contatos (não digo amigos, porque num ambiente hostil como esse, ninguém é amigo de ninguém. Casos raros acontecem, mas estou a falar da regra e não das exceções). Saia pra almoçar com eles (eles não vão te convidar, meta a cara, com a possibilidade de levar um tapa) nos restaurantes caros que eles freqüentam, em que cada refeição custa três vezes a sua ajuda de custo (se é que a vai receber, normalmente fazer o estágio já é uma honra tão grande que ninguém espera ser pago por isso). Jogue Quake o dia todo com eles, dê-lhes dicas de sites de sacanagem, descubra do que eles gostam (previsíveis como eles só, basta dar uma olhada na mesa de trabalho de cada um e descobrir seu pintor, autor ou desenho animado preferidos) e fale a respeito, dê presentes, enfim, puxe muuuuito o saco. Mas cuidado. Não faça isso com Deus, digo, com o Diretor de Criação, senão você volta pro purgatório rapidamente. Você tem que se dar bem com os deuses menores, deixando inclusive que eles tenham as suas idéias. Nunca chegue com um anúncio pronto para o Diretor de Criação, por melhor que ele seja. Isso causaria um grande desconforto (e inveja, raiva e outros sentimentos execráveis) na equipe dos deuses menores e poderia resultar na sua expulsão do Paraíso. Ao ter uma idéia, fale dela com um Redator ou Diretor de Arte (aquilo que você não for) e deixe que a coisa pareça ser dos dois, ou melhor, mais dele do que sua. Só assim a coisa pode ir em frente e pimba: um anúncio maravilhoso com seu nome na ficha técnica. Se conseguir fazer isso umas dez vezes, terá uma pasta cheia de anúncios bons, feitos em conjunto com grandes nomes, o que pode lhe trazer novas possibilidades em outro lugar. Ah, não esperava ser efectivado, não? Pense bem. Por que é que alguém efectivaria um estagiário que não ganha nada (ou quase) e trabalha feito um camelo? Pra pagar mais? Não faz sentido. Claro, você pode pensar que alguém talvez quisesse tê-lo por lá pelo seu magnífico talento e pela fantástica contribuição que você poderia dar se, em vez de ir embora, permanecesse na equipe. Desista. A única maneira disso acontecer é se você for uma gostosa. Daí a equipe, ou até o próprio Diretor de Criação, podem pensar duas vezes antes de deixá-la ir embora.
Mas a vida de um estagiário não é só essa maravilha que acabei de descrever, não senhor. Tem o trabalho. E que trabalho! Praticamente tudo o que sair da agência vai passar pela sua mão. Como 90% do trabalho do dia-a-dia são folhetos, rodapés, meias-páginas, spots de rádio, ou seja, coisas que não interessam a nenhum deus (estes só fazem anúncios de página dupla e filmes, mesmo que a agência onde trabalham não tenha clientes com dinheiro para veiculá-los ou produzí-los), prepare-se para ter que fazer a arte ou escrever todos os textos dessas chatices. Claro, é bom para aprender, pegar ritmo e quando você for um Diretor de Arte ou Redator de verdade, vai ter a capacidade de…passar o job para um estagiário qualquer. Escanear e procurar referências (encontrar fotos ou campanhas já feitas, em livros e pela Internet, para que o Diretor de Arte possa se "inspirar") também serão constantes na vida de um estagiário de Direção de Arte, assim como montar pranchas e colar anúncios dependendo da filosofia ($$) da agência. Os Redatores têm a vida um pouco mais fácil. Escrevem textos aqui e ali, sem muita pretensão de que fiquem bons (já que o consumidor raramente irá lê-los e o cliente raramente deixará de alterá-los por completo), eventualmente ajudam a procurar referências, sem sucesso, uma vez que "não entendem nada de arte", enfim…muito trabalho duro. Pra ser criativo, você também não pode ser pobre. Tem que ter um carrão importado ou uma Harley, pra poder entrar no círculo dos Deuses. Tem que vir de uma família rica, abastada, que tenha lhe proporcionado viagens pelo mundo, livros, visitas a museus, uma bagagem cultural imensa, tudo muito necessário na hora de fazer um tablóide de supermercado. Escrever "Aproveite: Feijão fradinho só R$ 0,89/kg" requer muito background. E um pobre nunca saberia qual a maneira mais estética de colocar a foto do saco de feijão entre o coxão mole e o detergente líquido.
Os criativos sempre permanecem numa redoma de cristal. Nunca devem ir ao atendimento (a não ser pra falar com aquela gostosa em particular, sem os outros deuses todos de olho), não sabem onde fica (e nem que existe) a mídia e só passam no financeiro para entregar a nota fiscal de serviços no final do mês, já que poucas agências podem pagar salários tão altos "por dentro". Geralmente vão direto do carro (um bem caro, último tipo, que fica dentro da garagem) para a Criação e da Criação para o carro. Obrigatoriamente, têm um hobby para "aliviar o estresse" do dia-a-dia, como pintar, tirar fotos, escrever livros, crónicas. Geralmente tudo de pior qualidade do que o trabalho que fazem na agência (imagine), mas dá status. E rende assunto com as gostosas do atendimento.
Então, a Criação é para você? Se não, não se desespere. Há ainda outras opções, como eu já disse. No próximo texto, vou falar do Atendimento. As barangas que me desculpem, mas a Mídia fica por último. Mas é bom pra irem se acostumando.
posted by Eduardo |
9:24 AM
Mais um texto de outro publicitário:
Criação: Missão Impossível
Tá estudando comunicação? Quer trabalhar na criação? Dê uma olhada no espelho. Você se parece com o Tom Cruise? Tá ouvindo uma trilha sonora começando assim: tum-tum-tuntuntum-tum-tuntuntum-tum...tararã-tararã-tararã-tarã?
Não é pré-requisito, mas ajudaria. Porque, se ninguém falou isso ainda pra você, trabalhar na criação é a verdadeira missão impossível. Só que na vida real, com expediente das 9 até sabe-se lá quando, e muitas vezes é você quem morre no final, não o bandido.
Exagero? Então, vejamos.
1 - Você tem que ser criativo (óbvio)
Se você escolheu esta profissão mas não costuma ter idéias originais, diferentes e divertidas com freqüência, esqueça. Não há sobrevivência possível. Se você tiver mau hálito, chulé, budum, dá pra resolver. Se você só tiver idéias ruins, ou, pior ainda, não tiver idéia nenhuma, nem Cristo salva. E nesse caso, vale um conselho: seja absolutamente honesto na sua auto-avaliação. Vai poupar muito mico pra você e muita encheção de saco pros seus duplas e pros seus diretores de criação.
2 - Você tem que ser (muito) culto
Lembro-me até hoje da minha primeira aula na ESPM, em que o saudoso professor Ricardo Ramos disse uma das coisas mais importantes que eu ouvi ao longo de toda a faculdade (e talvez de toda a carreira): "criar é rearranjar idéias". O velho mestre nos dizia que é praticamente impossível pensar em algo que ninguém tenha pensado antes, realmente novo, zero kilômetro (isso uma década atrás, veja bem, antes da popularização da Internet e da massificação da informação tal como vemos hoje). O que dá para fazer, ainda segundo ele, é arrumar, distribuir ou relacionar as idéias de um jeito diferente, que se torne ou pareça original. Evidentemente só dá para fazer isso se você souber muito sobre muita coisa. Portanto, se você não tem antenas ligadas, não lê e não ouve de tudo e não é um bom observador de pessoas, ouvi dizer que na Fonoaudiologia tem muita mulher bonita e a relação candidato x vaga é bem menos assustadora.
3 - Você tem que ser (muito) rápido
Amigão, vamos e venhamos: com dois meses de prazo, até a minha avó tem uma idéia bem bacana para um job. O que diferencia os profissionais dos amadores (em qualquer área, não é só na nossa) é fazer em dois palitos o que o resto da humanidade levaria a eternidade. Resumindo: ter (boas) idéias muito rápido e em escala industrial. Ou você acha que usam o termo "indústria da propaganda" por acaso? Assim, se você é do tipo que precisa "esperar pela inspiração", de um certo "ócio criativo" ou coisa que o valha, sem problema: as galerias de arte brasileiras andam mesmo precisando de jovens talentos. E se você mandar bem, pode ganhar mais dinheiro vendendo um único quadro do que muito criativo de propaganda na carreira inteira.
4 - Você tem que ser (muito) flexível
Comunicação é uma atividade coletiva (muitas vezes, bem mais coletiva do que qualquer um de nós gostaria). Idéia pouca gente tem. Opinião, em compensação, todos os 6 bilhões de habitantes do planeta. Você vai ter que interagir com seu dupla, com o diretor de criação, com o pessoal do planejamento, com o atendimento, com o cliente, com o pessoal da faxina e com a moça do café, não necessariamente nesta ordem. E a estas alturas do artigo, você já percebeu que "interagir" é um eufemismo para "acatar". Convença-se: só dá pra sobreviver nesta profissão com jogo de cintura. Se você é do tipo dono da verdade (mesmo que você seja, de fato, o dono da verdade), matricule-se imediatamente num curso intensivo de bambolê ou procure outra coisa pra fazer da vida.
5 - Você tem que ser maduro
Isso está ligado diretamente ao item anterior. Quer dizer o seguinte: não basta aprender a ser flexível, é preciso aprender a ser flexível sem sofrer. Caso contrário, você pode até sobreviver e dar certo na profissão, talvez até ganhar bastante dinheiro, mas o seu estômago vai ficar mais cheio de buracos que um queijo suíço. E depois de 15 anos nesse ramo, acho que eu posso dizer com certa segurança: não vale a pena. Depois de esgotar todos os seus melhores argumentos sem sucesso, aprenda a dizer "tudo bem, eu mudo", sorrir, fazer o que mandaram e deletar o que aconteceu da sua cabeça dois segundos depois. Ou então abra uma pet shop. Poucas coisas são tão frustrantes quanto o dia-a-dia de um criativo - o único profissional que eu conheço que ouve tantos "nãos" todo santo dia é o garçom do cupim em churrascaria rodízio. Se você é do tipo que fica remoendo frustrações, só vai fazer carreira para o seu analista.
6 - Você tem que ter empatia
Tá lá no dicionário: empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Como comunicação é, por definição, algo que se faz para os outros, é bom que você domine esta capacidade. E não dá para ser empático sem antes ser simpático. Tenha simpatia pelos outros. Apaixone-se pelas pessoas. Sinta com o coração e a alma delas. Senão fica difícil falar alguma coisa que pareça sedutora. Se você ficar criando em torno do próprio umbigo, o máximo que vai conseguir é mostrar como você é genial para duas pessoas: você próprio e a sua mãe. O que não é vantagem nenhuma, porque isso vocês dois já acham de qualquer jeito, mesmo que você vá ser caixa de banco.
7 - Você tem que ter visão macro
Não existe solução antes de haver a compreensão do problema. Ou, como diriam nossos avós, "não dá pra passar o carro na frente dos bois". Tem muito criativo que parece o Mirandinha, o Mimi, aquele que jogava no Corinthians: é só receber a bola que abaixa a cabeça e sai correndo em direção ao gol - no caso, a famosa "idéia do caralho". Às vezes, corre até mais que a bola. No fim, além de perdê-la, ainda acaba dando cabeçada na trave. Um bom criativo sabe que, se não tiver entendido o problema direito, nenhuma idéia pode ser "do caralho" (vá lá, vez por outra pode, afinal o Mirandinha de vez em nunca fazia um gol). O bom criativo analisa a concorrência, o mercado, o consumidor, enxerga posicionamentos, entende a cultura e a filosofia de seu cliente (tudo isso bem rápido, como já vimos em item anterior). E aí cria. E depois julga o que criou à luz desses elementos. A isso se chama "critério". E "critério" só tem quem enxerga as coisas de um ponto de vista um pouco mais abrangente do que a extremidade do órgão sexual masculino.
8 - Você tem que abandonar preconceitos
Esse é o tipo de recomendação que vale não só para a propaganda, mas para a vida - afinal, preconceito de qualquer tipo, sem rodeios, é mesmo uma merda. Mas é especialmente válida para a nossa profissão. Não assiste novela? Nunca viu a mesa redonda do Avalone? Não faz a menor idéia de quem é o Rouge? Só lê Caras e Contigo na ante-sala de dentista? Fala que viu o Gugu no domingo porque foi tomar água na cozinha e passou na porta do quarto da empregada? Ah, fala sério. Primeiro, isso é conversa mole. Todo mundo tem o seu lado Sidney Magal - graças a Deus, ou nos tornaríamos um bando de chatos pedantes. Segundo, uma postura como essa não vai te ajudar em nada na hora de criar uma campanha matadora para um produto que tem 90% das suas vendas concentrados nas classes C e D. A menos que você ache que dá pra usar o Coldplay como trilha de um comercial do salgadinho Mocotó, que aliás você criou referenciado no último sucesso do cinema afegão. Livre-se dos preconceitos. Isso também vai livrar você de criar muita bobagem.
9 - Você tem que ser trampeiro
Se você não é muito chegado no batente, tudo bem. Você certamente está muito bem acompanhado. Só não vá escolher a propaganda por causa disso, senão vai quebrar a cara. Para fazer coisa boa em propaganda, tem que trabalhar como um mouro, e sem direito a odaliscas (vai nessa de que no atendimento só tem gostosa, vai). Não vai ser raro o dia em que você vai ter 8 jobs em cima da mesa e um diretor de criação, um atendimento e o dono da agência em cima do seu cangote. E eles são tão compreensivos com o volume de trabalho que você está enfrentando quanto a sua namorada seria se pegasse você na cama com a Daniela Cicarelli. Pensando bem, a sua namorada seria mais compreensiva. Portanto, se você estuda comunicação e trabalhar não é propriamente um top ten na sua lista de preferências, Houston, we have a problem.
10 - Você tem que ter sorte
Estar no lugar certo, na hora certa. Conhecer as pessoas certas. As pessoas certas irem com a sua cara. Rolar uma química. Combinar o astral. Chame como quiser. Sem sorte, já disse o filósofo de botequim, ninguém chega a lugar algum. Mesmo que tenha tirado 10 em todos os quesitos anteriores. Esta é a má notícia: a boa notícia é que a sorte costuma dar as caras na vida de qualquer mortal no mínimo uma vez - só que nem todo mundo está preparado para aproveitar quando isso acontece. E aí, babau.
Nesse momento você, meu jovem amigo, já deve estar com os dois olhos arregalados, se perguntando: “quer dizer que para ter alguma chance nesse negócio preciso ser criativo, culto, rápido, flexível, maduro, ter boa capacidade de me colocar no lugar dos outros, enxergar as coisas de um ponto de vista abrangente, manter a mente aberta, ser uma máquina de trabalhar e ter uma puta sorte? E tudo isso enquanto tem mais gente competindo comigo do que na largada da maratona de Nova York?”.
Pois é. Quem mandou você não ser pagodeiro ou jogador de futebol?
Tum-tum-tuntuntum-tum-tuntuntum-tum...tararã-tararã-tararã-tarã!
posted by Eduardo |
9:21 AM
Janeiro 29, 2004
Quando você acha que já viu de tudo, vem isso aqui.
posted by Eduardo |
9:51 AM
O CRIADOR ERA PUBLICITÁRIO
Não resta a menor dúvida: Deus trabalhava na criação de uma agência de propaganda e criou o mundo por obrigação profissional! A troca de e-mails deve ter sido mais ou menos assim:
De: Atendimento
Para: Deus
Pedido: Favor criar o mundo.
De: Deus
Para: Atendimento
Briefing incompleto. Solicito informações mais detalhadas.
De: Atendimento
Para: Deus
JOB
O cliente solicitou que o mundo fosse redondo, colorido, que fosse claro durante o dia e escuro pela noite. Pediu muita água nos rios e mares e nenhuma nos desertos. Quer que no verão faça calor e frio no inverno. Quer plantas que cresçam na terra e animais que respirem. Montanhas altas, depressões baixas e planícies planas.
RESTRIÇÕES
O cliente não quer acontecendo ao mesmo tempo chuva e sol, a não ser por ocasião de casamento de espanhol.
MÍDIA
O cliente pretende fazer uma inserção deste mundo no sistema solar e deixá-lo rodando lá por tempo indeterminado.
OBRIGATORIEDADES
Nós tentamos tirar essa idéia da cabeça dele, mas não houve jeito, ele bateu o pé: quer colocar gente no mundo.
De: Deus
Ah, essa não! Como é que eu vou trabalhar desse jeito? Não vai caber! É muita informação para um mundo só. O ideal é fazer um mundo e uma luz para dividir as informações. Além do mais, gente no mundo nós sabemos que não dá certo. Nós podemos deixar as pessoas na lua e para o mundo a gente retoma aquela idéia dos Incas Venusianos.
De: Atendimento
O Cliente aceita a idéia da lua, mas só para enfeitar, controlar mares, orientar cortes de cabelo e fazer agendas. Todo o resto ele continua querendo ver dentro do mundo, inclusive gente.
De: Deus
Já estou vendo que esse cliente é do tipo buraco negro!
De: Atendimento
Também não é assim. É que ele nunca fez um mundo antes. Ele não tem idéia de como toda essa coisa funciona. A gente peita, mas até um certo limite. Se ele quer pôr gente no mundo, OK. Ele está pagando e acha que o ser humano pode dar certo. Vamos tentar?
De: Deus
OK. Eu faço o trabalho. Qual é o prazo?
De: Atendimento
Ah, graças a Você! Quanto ao prazo, está estourado. Você só tem 7 dias para criar o mundo.
De: Deus
Impossível! Não dá! Isso aqui não é padaria e a pauta está lotada! Eu preciso de mais prazo. Em 7 dias ninguém consegue fazer um mundo decente.
De: Atendimento
A questão é que se não estiver pronto daqui a uma semana, o cliente vai perder o espaço reservado. Infelizmente, não tem outra alternativa. Estamos com o faturamento de fevereiro em baixa. Deixa para ganhar Grand Prix no Salão com outros trabalhos. Daqui pra frente você pode criar mundos melhores.
De: Deus
Isso é um absurdo! Um mundo não se cria assim, como quem apaga uma estrela. É um processo delicado, que exige tempo. Ou a Gente faz como tem que ser feito ou esse mundo está perdido.
De: Atendimento
Você está exagerando. É só um mundo. Coisa pouca. Se fosse um sistema solar, uma galáxia, vá lá. Mas um mundinho destes? É querer gastar energia demais numa poeira cósmica.
De: Deus
Bem, lavo as minhas mãos. Mas quero deixar registrado aqui o Meu protesto. E é bom que não se esqueça mais pra frente, que se alguma coisa der errado foi porque, desde o princípio, o briefing entrou errado. Até Eu duvido que vá sair alguma coisa boa disso.
De: Atendimento
Você me livre, vire essa boca pra lá! Se Você quiser, tudo vai dar certo. Aliás estamos tão confiantes que vamos fazer um making off escrito. Tipo um livro contando como tudo começou e etc. E não se preocupe, Você vai ficar com todos os créditos. Não esqueça, hein? Você tem apenas 7 dias.
De: Deus
Olha, pra ser franco, esse cliente não merece coisa melhor. Vou matar esse trabalho rapidinho e tirar da frente. Em 6 dias eu crio o mundo e ainda vou ter um dia pra descansar.
De: Atendimento
Você é quem sabe. Também podemos ir pensando numa campanha de manutenção...
De: Deus
Nem pensar! Se precisar, depois Eu mando Meu filho lá pra dar uma olhada...
posted by Eduardo |
9:25 AM
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